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Ao avaliar com imparcialidade a sua carreira de empreendedor/a, você percebe que atingiu muitas das metas e objetivos do seu negócio desde que começou a trabalhar "x" anos atrás. Você manteve a empresa no curso certo e fez ajustes quando necessário – superando momentos difíceis e florescendo nos bons períodos. E criou um negócio viável e lucrativo, que lhe proporciona um forte senso de realização pessoal e é motivo legítimo de orgulho. Mas, e agora? O que fazer quando chega a hora de passar o bastão para outra pessoa? Será que vai dar tudo certo? Será que você pode ter certeza de que a empresa continuará crescendo e que todo o seu trabalho e dedicação não foram em vão?
A resposta para essas perguntas cruciais será "sim" se você pensar com clareza, planejar com cuidado e criar uma atmosfera aberta e favorável à comunicação. Os passos iniciais descritos abaixo ajudarão a preparar o caminho de uma transição bem-sucedida do negócio para a geração vindoura e as seguintes. Antes, porém, há outras perguntas importantes que você deve se fazer ao pensar em transferir o controle da empresa para outros. Você tem um plano claro e detalhado para transmitir a empresa familiar e dedicar-se pessoalmente a outra coisa quando isso acontecer? Os sucessores estão suficientemente preparados para começar a trabalhar e assumir o controle sem disrupção? Você comunicou para a família, de maneira franca e honesta, as suas metas, expectativas e necessidades? E ouviu quais são as dela? Todas as suas necessidades financeiras serão atendidas no futuro imediato e pelo restante de sua vida? Você considerou todos os possíveis aspectos positivos e negativos de deixar o negócio nas mãos de um parente? Por fim, você está psicologicamente preparado/a para abdicar de algo no qual investiu tanto tempo e esforço? Existem outras opções que você deva levar em conta?
Em última análise, a grande pergunta que você terá de responder é: "Como abrir mão do sonho que criei e deixar que outra pessoa assuma o comando?". Uma vez respondidas essas perguntas, você terá de pensar sobre o passado, o presente e o futuro antes de vender ou transferir o seu negócio. Mas, acima de tudo, você precisará de um plano.
Elabore um plano sucessório
– Se você pretende transferir a empresa para um parente ou descendente direto, é importante delegar-lhes responsabilidades de acordo com um plano bem específico e muito bem pensado. Também é importante compreender os pontos fortes e as limitações de cada um, a fim de que o plano reflita o que precisam aprender e quais habilidades devem adquirir.
Também é preciso levar em conta as possíveis dificuldades de conversar sobre a sucessão. É mais ou menos como fazer seguro de vida: sabemos que é importante, mas não gostamos de pensar a respeito. Do mesmo modo, o seu negócio é um de seus ativos mais preciosos e, como tudo o que vale a pena ter, exige alguns sacrifícios e muita confiança e comunicação. Seguem-se alguns pontos que devem ser considerados:
1. Comece o treinamento logo
– Poucos proprietários reservam tempo para treinar seus sucessores. É como se esperassem que eles absorvessem tudo o que precisam saber num passe de mágica. Na realidade, porém, é crucial que você comece a introduzir seu sucessor potencial ou designado no negócio desde cedo, para que ele ou ela adquira um perfeito entendimento das necessidades da empresa e do setor em que opera. Para não falar que, às vezes, uma perspectiva mais jovem é valiosa em e por si mesma.
2. Tudo começa em casa
– As empresas com mais chances de sobreviver por várias gerações são aquelas em que o negócio é visto como parte integrante e produtiva da vida familiar. Existe um plano para treinar e desenvolver os membros da família à medida que vão entrando na empresa. Igualmente importante, a liderança aceita e toma as rédeas do futuro, não só em termos de um plano de negócio, mas também com relação ao planejamento da sucessão.
3. Não force a barra
– Se você exigir interesse, lealdade e obediência estrita dos membros da família em relação ao negócio ou, inversamente, permitir que considerem seus cargos na empresa como uma "boca livre" em vez de uma responsabilidade séria, tais atitudes extremas poderão causar problemas mais adiante. Do mesmo modo, se você simplesmente não consegue abrir mão do controle e é incapaz de designar um sucessor, as chances de a empresa sobreviver depois que você partir também serão menores.
4. Não dissimule o que você quer
– Você quer que o negócio continue por herança? Você quer dinheiro? Será que é importante para você manter certo controle residual? Ou você espera que o novo proprietário torne as coisas maiores e melhores? Você preferiria não ter mais nenhum contato com o negócio? Ou se dispõe a fazer concessões e achar uma função que convenha tanto a você como ao novo proprietário?
5. Gestão da transferência
– A transferência bem-sucedida do negócio decorre de uma mentalidade que veio se constituindo muito antes da finalização dos requisitos legais. Uma das coisas contra a qual você deve se prevenir é a tendência de guardar informações e competências apenas para si. Compartilhe essa riqueza com os indivíduos que você selecionou com tanto cuidado para o futuro e permita que se beneficiem da sua experiência e dos seus conhecimentos por quanto tempo for possível.
6. Comece pelo começo
– Apresente seus filhos às posições mais humildes do negócio, mas certifique-se de que sempre enxerguem o quadro maior para que tudo o que aprenderem tenha uma perspectiva mais ampla. Dessa maneira, entenderão por que cada parte ou faceta da empresa funciona da maneira que funciona. À medida que forem crescendo com a empresa, devem ir sendo promovidos com base em sua capacidade, como qualquer outro funcionário. Isso aumentará a confiança do seu pessoal e fornecerá a experiência necessária para o futuro chefe da empresa.
7. Não force alguém a ser o que não é
– Se o seu filho ou filha é muito sério, perfeccionista, adora mexer com números e sabe programar computadores, não tente transformá-lo/a num vendedor. Permita que cada um contribua de acordo com seus interesses e conhecimentos individuais. Isso ajudará a prevenir conflitos quando receberem poder e responsabilidades. Na realidade, é possível que você descubra que cada pessoa está disposta a assumir a "propriedade" em sua área de "especialização", resultando numa equipe bem entrosada –com a vantagem adicional da lealdade familiar.
8. Mantenha o vigor de suas convicções
– Não tome decisões sobre sucessão baseadas em alguma fórmula equivocada ou "forçada" – por exemplo, achar que o filho mais velho deve automaticamente ser o herdeiro do trono ou deixar-se influenciar indevidamente por outro membro da família. Não permita que ninguém obrigue você a dividir o negócio "eqüitativamente" entre os filhos – não importa que isso seja a coisa certa a fazer ou não–, porque então correrá o risco de alienar a família e os funcionários e, talvez, até de arruinar o negócio de dentro para fora. Uma opção é escolher pessoas que, literalmente, vivem "na linha de fogo todos os dias" e tenham comprovado que são capazes de assumir a responsabilidade. Em alguns casos, porém, a fim de preservar a paz familiar, é justificável recorrer a um assessor externo, que tenha um ponto de vista objetivo. Talvez também seja útil aplicar testes de personalidade, não só para avaliar indivíduos em posições-chave, mas também para determinar qual será a dinâmica do grupo depois que você se retirar.
Investigue o futuro
– Tendo em vista a infinidade de problemas e questões práticas que precisam ser resolvidas, é importante dedicar todo o tempo que for necessário para assegurar o futuro do negócio. Reflita sobre o tipo de ambiente e os produtos ou serviços que a sua empresa oferece. Será que ela terá de sofrer grandes mudanças para continuar na liderança? Além disso, quando chegar a hora de escolher um sucessor, será que essa pessoa conseguirá realizar as mudanças e tomar as decisões necessárias para levar a empresa na direção certa?
Em si, planejar apenas para a transferência imediata não é suficiente. Igualmente crucial é investigar o futuro do negócio e do setor muito além da próxima geração. Tenha em mente as idéias esboçadas abaixo quando refletir sobre o futuro do seu negócio e sobre os membros da família que um dia irão dirigi-lo:
Saiba do que a empresa necessita (com honestidade e objetividade). Identifique quem poderá sucedê-lo/a e como deve ser a preparação dessa pessoa. Escolha um sucessor compatível com o cargo. Elabore um plano para que a transição seja suave e permita medir os resultados. Inclua no plano uma fase de monitoração. Por fim, ao pôr em prática tudo o que planejou, o ideal é que haja uma parceria entre a velha e a nova guarda. Durante certo período, cuja duração você deve predeterminar, é preciso que você atue na qualidade de mentor a fim de garantir que o proprietário original tenha tomado a decisão certa e que o sucessor seja plenamente capaz de assumir. Isso contribuirá, e muito, para suavizar a transição – até o dia em que, com o espírito em paz, você veja o seu trabalho árduo de anos começar a dar novos frutos.
Fonte: Portal HSM On-line |